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8/10/2015



 Nas nossas concepções mais comuns, entendemos as drogas e sua relação com os círculos sociais de forma quase paradoxal. Atribuímos o uso destas como resultado, por vezes, da atuação de círculos sociais e, em outras, resultante da destruição de laços ou de decepções pessoais. Também atribuímos a estas um status de destruidoras de relações (especialmente as familiares). Digamos, então, ao menos provisoriamente, que compreendemos as drogas como "renovadoras" de círculos sociais... no pior sentido possível, ou, ao menos, como possível fruto da renovação destes.

 Mas como as drogas - e especificamente a maconha - sendo substâncias, exerceriam tanto poder sobre a socialização de um indivíduo?



Este é o segundo post de uma série de três que abordam a discussão quanto a legalização da maconha. Recomendo a leitura dos textos em ordem. 

Se ainda não leu, leia o primeiro texto: Cannabis: história, utilidades medicinais e narcotráfico


 O Impacto das Drogas nos Círculos Sociais 


É provável que uma limitação minha exista ao tentar articular uma argumentação com início meio e fim dentro de uma estrutura tão circular quanto a apresentada inicialmente (citada como "quase paradoxal"). No entanto, os impactos sociais das variações biológicas me parecem mais complexos do que, no momento, é possível retratar. Após uma série de pesquisas as relações diretas entre a destruição (ou construção) de laços com as drogas pareceu-me ser uma discussão mais derivada do marketing do que necessariamente das pesquisas. Em uma análise lógica, embora, admito, superficial (e não me arriscaria a tentar deduzir algo além) estes impactos nos círculos sociais parecem ser frutos de três mudanças básicas:

1 - A mudança do comportamento do indivíduo:

Não existem pesquisas que relacionem o uso de maconha e a violência de forma coesa, mas a mudança de comportamento (sendo esta qualquer que seja) gera estranheza; não seria estranho que conflitos surgissem por conta da  mudança de comportamento. Um marketing que tende a predispor esteriótipos e que obtenha relativo sucesso, termina, então, por facilitar que conflitos existam.

2 - Temor do narcotráfico e da dependência:

Se no tópico anterior a referência é guiada para uma mera abstração e para conflitos derivados de esteriótipos, o narcotráfico, ou mesmo sua mera sombra (ameaça de sua presença) seria um dos motores da renovação dos círculos sociais. Um repúdio social à determinados comportamentos ilegalmente estabelecidos se misturaria em conflitos com uma visão pessoal dentro do círculo do qual o indivíduo se distancia, à medida que os demais círculos sociais aceitam a conduta de consumo. Diretamente, a mera sombra o narcotráfico, mesmo que desarraigada da mudança de comportamento ou do temor pela saúde (um apontamento para o fato de que algumas drogas não exibem impactos visíveis na saúde (especialmente à curto prazo, como é o caso da Cannabis) agitaria a situação.

3 -Distanciamento:

Os esteriótipos, por vezes, tendem a desenvolver um repúdio dos demais até um ponto onde o distanciamento de um dependente químico (e aqui diferenciamos o dependente do usuário) parece uma opção saudável. Neste ponto, o rompimento de laços, ao invés de um cuidado ou apoio, acelera ou resulta, finalmente, em uma renovação dos círculos sociais. Provavelmente há, neste caso, uma presença da ideia de um dependente químico  como um criminoso, ao invés de um doente.



Vícios: O impacto das drogas nos círculos sociais



>> Não, nem todos os problemas surgem dos esteriótipos


Criticar o estilo de marketing empregado, criticar a desinformação sobre as drogas (lícitas e ilícitas) ou o tabu imposto sobre o tema, soa, na realidade, como um endosso ao uso de drogas.  Na prática, as coisas não são tão belas. A maconha, à parte, não possui nenhum destaque para os seus danos à saúde. As pesquisas voltadas para a análise se divergem ao extremo. Realizando uma pesquisa superficial, podemos encontrar diversos estudos indicando danos ao cérebro, na mesma proporção em que outros estudos encontram resultados completamente diferentes, alguns estudos nos afirmam que sim, a maconha afeta a química do cérebro, mas as metodologias empregadas nem sempre permitem uma afirmação clara dos resultados que alega-se terem sido obtidos quando uma breve análise lógica parece desmentir uma estranha estrutura - sim, o artigo afirmava que o estudo "apontava", mas o público não costuma interpretar a leitura da mesma forma. 

Como se não bastasse, mesmo nos mantendo distantes do cérebro (área muito mais complexa) os estudos que afirmam que a maconha causa mais câncer de pulmão que o cigarro, são desmentidos rapidamente. Não há como não compreender que esta estranha corrida, não das pesquisas (isto é compreensível), mas dos websites e jornais, gere uma sensação de desconfiança por parte de qualquer um que resolva buscar informações sobre o tema.



>> Então... tudo bem em fumar? 

Nenhuma resposta aqui pode ameaçar deixar o som de um gritante "Não!". A maconha tem uma longuíssima história de uso recreativo, isto, no entanto, não a torna segura nem a coloca em status de "ser tão segura quanto o álcool". As pesquisas apontam para lugares diferentes e é difícil separar todas as informações. No entanto a existência de  danos à saúde é conhecida. Mais ou menos que o álcool, mais ou menos que o tabaco, mais ou menos que o crack, ou através de qualquer resultado doravante a estas estranhas comparações tão divulgadas, o fato é que existem danos à saúde.



O uso da maconha e o aumento da violência


O consenso de que as drogas em geral aumentam os índices de violência que foi apresentado no primeiro documentário do post "Cannabis: história, utilidades medicinais e narcotráfico" ainda permanece presente. É necessário, no entanto, reforçar que alguns estudos apontam para resultados estranhamente diferente. Sendo assim, é provável que a droga em si não possua efeitos psicoativos que levem à violência. O que originaria então a onda de mortes relacionadas a maconha? Longe de respostas prontas, uma ótima aposta seria a presença do narcotráfico. Podemos observar que no Uruguai, por exemplo,  após da legalização da maconha, o índice de mortes envolvidas com tráfico chegou a zero.


A polêmica concepção de dependência 

Vários aspectos já que eram pressupostos necessários para nossa discussão já foram apresentados em posts anteriores. Toda a discussão em torno da dependência pode ser encontrada no site do Dr. Drauzio Varella, na entrevista realizada com Elisaldo Carlini que discute diversos tópicos em torno da concepção de dependência, dos impactos da maconha na saúde e de várias discussões polêmicas em torno da biologia presente no tema.
 Algumas outras informações são encontradas em uma entrevista com Carl Hart, realizada também pelo Dr. Drauzio Varella.


Nossa discussão discussão continua em "Cannabis: Legalização vs Descriminalização". Se você me desobedeceu no início, pode ler agora o "Cannabis: História, utilidades medicinais e narcotráfico"

E então, como você acha nós deveríamos encarar este problema? Deixe nos comentários!

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