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5/29/2015

 

O Elefante, por Drummond

Fabrico um elefante
de meus poucos recursos.
Um tanto de madeira
tirado a velhos móveis
talvez lhe dê apoio.
E o encho de algodão,
de paina, de doçura.
A cola vai fixar
suas orelhas pensas.
A tromba se enovela,
é a parte mais feliz
de sua arquitetura.

Mas há também as presas,
dessa matéria pura
que não sei figurar.
Tão alva essa riqueza
a espojar-se nos circos
sem perda ou corrupção.
E há por fim os olhos,
onde se deposita
a parte do elefante
mais fluida e permanente,
alheia a toda fraude.

Eis o meu pobre elefante
pronto para sair
à procura de amigos
num mundo enfastiado
que já não crê em bichos
e duvida das coisas.
Ei-lo, massa imponente
e frágil, que se abana
e move lentamente
a pele costurada
onde há flores de pano
e nuvens, alusões
a um mundo mais poético
onde o amor reagrupa
as formas naturais.

Vai o meu elefante
pela rua povoada,
mas não o querem ver
nem mesmo para rir
da cauda que ameaça
deixá-lo ir sozinho.

É todo graça, embora
as pernas não ajudem
e seu ventre balofo
se arrisque a desabar
ao mais leve empurrão.
Mostra com elegância
sua mínima vida,
e não há cidade
alma que se disponha
a recolher em si
desse corpo sensível
a fugitiva imagem,
o passo desastrado
mas faminto e tocante.

Mas faminto de seres
e situações patéticas,
de encontros ao luar
no mais profundo oceano,
sob a raiz das árvores
ou no seio das conchas,
de luzes que não cegam
e brilham através
dos troncos mais espessos.
Esse passo que vai
sem esmagar as plantas
no campo de batalha,
à procura de sítios,
segredos, episódios
não contados em livro,
de que apenas o vento,
as folhas, a formiga
reconhecem o talhe,
mas que os homens ignoram,
pois só ousam mostrar-se
sob a paz das cortinas
à pálpebra cerrada.

E já tarde da noite
volta meu elefante,
mas volta fatigado,
as patas vacilantes
se desmancham no pó.
Ele não encontrou
o de que carecia,
o de que carecemos,
eu e meu elefante,
em que amo disfarçar-me.
Exausto de pesquisa,
caiu-lhe o vasto engenho
como simples papel.
A cola se dissolve
e todo o seu conteúdo
de perdão, de carícia,
de pluma, de algodão,
jorra sobre o tapete,
qual mito desmontado.
Amanhã recomeço.

Carlos Drummond de Andrade
(Em A Rosa do Povo)

5/28/2015

Marcha da Maconha

Este post faz parte de uma série de 3 sobre o mesmo tema. Nos três posts, os tópicos voltados para a saúde estão marcados com ">>".



Antes de prosseguir para a análise propriamente dita da discussão e de como ela se fundamentou, considero que há uma necessidade de se discutir a origem da própria Cannabis antes. Vamos aos dados:

Uso Recreativo da Cannabis: História

 A maconha possui um largo histórico de utilidades. A facilidade de cultivo e as propriedades medicinais foram as principais responsáveis pela sua larga difusão, vindo da Ásia e se espalhando por todo o globo, a maconha possui uma variedade absurda de usos, inclusive recreativo.

Em relação a atual proibição da erva, uma das principais bases argumentativas é o tempo em que a droga foi usada normalmente, sem preceitos éticos/morais sendo aplicados à recreação. Damos conta de que o seu uso se inicia no terceiro milênio a.C. Sua proibição, no entanto, só aparece em 1798, até então não era a saúde que se encontrava em discussão, mas sim a agressividade dos egípcios contra Napoleão, que acreditava que a droga tornava esse povo mais desobediente.

Seguindo uma recomendação do website Pragmatismo Político em seu artigo sobre a história da maconha, encontrei o documentário "Grass: A Verdadeira História da Marijuana" que se encontra disponível abaixo. Recomendo que assistam antes de continuar a leitura.





* Esclarecimento: Grande parte das informações disponibilizadas no documentário possuem larga amplitude de estudos e abordagens diferentes. É provável que existam críticas ao documentário, infelizmente, nada foi encontrado durante minhas pesquisas e, portanto, use do seu ceticismo (ou não) para analisar as informações detalhadamente.


O narcotráfico e a cannabis

A opinião pública possui uma relação direta com a visão televisionada, principalmente em um país onde este é o principal meio de comunicação de massa. No entanto, mesmo que temas polêmicos, pouco agradáveis ao público possam ser abordados facilmente, qualquer ataque direto às leis ou qualquer discussão mediante a moral aparenta temer repressão.

O narcotráfico alimentou os meios de comunicação das mais variadas formas. Se discutir homossexualidade, condições financeiras e administração governamental é fácil, utilizar um meio de comunicação de massas para questionar um ponto de vista que além de ser fortemente sustentado pela opinião pública, ainda é reforçado por leis e por governantes que se omitem não o é. Pelo contrário, o aumento da violência no Brasil - esta alimentada pelo narcotráfico - ergueu um novo formato midiático que se sustenta em assassinatos e desastres. Esta nova abordagem, por sua vez, dedicada ao público mais massivo possível abstrai do povo o direito de discussão causando um fascínio misto com repugnância. Um ódio profundo que dura alguns minutos e dedica-se a um ou outro assassino, mas que mantém o público longe da visão "macro". Longe da visão total e das relações de causa e efeito que levariam, surpreendentemente, ao narcotráfico.

A relação entre o tráfico e a violência é a mais direta possível, como já apresentei em outro post, e tomarei novamente como exemplo, podemos observar uma apresentação das relações no documentário "Quebrando o Tabu" - clique para ler a análise e obter mais informações



Impacto do uso da cannabis

Apesar da significância e da necessidade, discutir socialmente é  excluir uma enormidade de detalhes imperceptíveis. Admitamos pois, que a liberação da maconha acontecesse (não separarei, neste caso, se isto seria uma descriminalização ou uma liberação de uso/cultivo, discutiremos isso depois). Quais os danos a curto, médio e longo prazo à saúde dos usuários? Quais os riscos conhecidos? Quais os impactos na vida pessoal do indivíduo?

>> Danos á saúde causados pela maconha


Diversos estudos dedicam-se a verificar os problemas que a Cannabis pode trazer à saúde. Estudos recentes indicaram, por exemplo, que certas estruturas cerebrais aparentemente se deformam após o uso da droga, mesmo que este uso seja feito semanalmente e em pequenas quantidades. O estudo foi divulgado no JNeusci, mas ganhou uma reprodução na mídia brasileira pela revista VEJA. A pesquisa, na realidade, só restringiu o método de estudo para uma maior especificidade de dados. Estudos anteriores já indicavam que danos ocorriam, mas se dedicavam aos dados obtidos à partir de usuários que consumiam grandes quantidades da erva.

Outro resultado (comicamente) conhecido é a maior perca de memória recente, ou seja: sim, usuários de maconha se esquecem com maior facilidade das coisas - a curto prazo. À parte desses detalhes já conhecidos, a maconha também aumenta a chance de câncer de pulmão, aparentemente, em uma porcentagem maior do que a do tabaco.

 

>> Esquizofrenia e maconha

A relação entre esquizofrenia e o uso da cannabis abrange, por si, uma das maiores áreas do debate relacionado a saúde. Estatisticamente, o uso da cannabis se relaciona com uma maior expressão do número de esquizofrênicos. A análise de alguns estudos, resultou em uma dualidade de interpretações que remeteram diretamente à amplitude da observação utilizada.

Ao observar os dados, pesquisadores e psiquiatras de grande renome chegaram a conclusão de que havia uma grande diferença no número de esquizofrênicos entre os usuários da cannabis e pessoas comuns. Tomemos um exemplo:



Outras pesquisas seguiram o mesmo método de análise e chegaram a resultados estatisticamente similares, mas não iguais. Em 2013, um estudo de Harvard indicou que na realidade, a maconha só acelerava a expressão do distúrbio em indivíduos que já o expressariam ao longo da vida mesmo sem utilizarem a erva. Outros estudos já indicavam a possibilidade. Aparentemente, o Uruguai não teve nenhum problema de saúde pública do gênero, o que me leva a crer que a interpretação dos dados foi, no mínimo, errônea.


A saúde que a cannabis pode trazer

Não nos referimos aqui ao uso recreativo, mas medicinal. Este tipo de uso da maconha possui tantas vertentes - e tão complexas - que sua análise profunda é drasticamente inviável. Apesar de ser um tópico importante, preciso me restringir a citar alguns dos usos medicinais da cannabis. A cannabis é útil no tratamento do câncer, epilepsia, é útil também como analgésico (coluna e dores de cabeça), relaxante, é usada no controle de alguns transtornos psicóticos,   no tratamento da AIDS, no tratamento de glaucoma, dentre outros usos mais específicos e que, para evitar erros nas informações, prefiro deixar que façam parte de uma busca feita por sua conta.



Do uso recreativo: Uma comparação com as drogas legais

Comparar os danos causados pelas drogas é lidar com uma variedade de dados gigantesca. O resultado: A comparação é inviável.

Vemos em fóruns e em diversos outros meios de comunicação este tipo de comparação, mas estudos como estes possuem sérios problemas no uso dos critérios. Por exemplo, eu diria que a maconha é pior que o cigarro comum se considerasse somente o aumento da chances de câncer de pulmão. Se considerasse mais alguns dados, chegaria a uma conclusão contrária, e provavelmente, se continausse a análise, teria sérios problemas em escolher se desejo um câncer de pulmão ou uma série descontrolada de gangrenas.

Parece-lhe subjetivo? Deixo claro que para mim estes estudos/artigos beiram o non-sense o tempo todo, mas, poderíamos dizer que o alcool é pior que o crack, que o alcool é pior que a maconha, ou encontrar uma lista de drogas organizadas por seus danos à saúde, mesmo quando o alcool traz grandes benefícios para o organismo.

 

 Uma discussão aberta sobre a legalização

 

Segue abaixo uma análise abrangente do tema que foi feita em uma série de notícias pelo Jornal da Band, a amplitude da discussão foi agradável em diversos pontos. 





 A nossa discussão continua com "Cannabis: a saúde, as relações e a dependência" e "Cannabis: legalização Vs Descriminalização".

E então, até agora, você é a favor ou contra a legalização recreativa/medicinal da maconha?

5/16/2015

Ao vivo no auditório Ibirapuera:

Avaliação "5 a seco: Ao Vivo no Auditório Ibirapuera" (4/5) 

 

5 a Seco é a leveza, é a voz, é o violão, é o ar, é o mar.


Com composições de enorme qualidade e parcerias bastante agradáveis, o álbum "Ao vivo no Auditório Ibirapuera" traz o que o 5 a seco costuma mostrar em seus outros trabalhos. Uma qualidade vocal incrível com um instrumental bem trabalhado e uma brasilidade expressa a cada nota e verso.


O dinamismo do álbum se dá, principalmente, pelas participações especiais. Elas aparecem na hora certa, dominam o palco e "dançam" com as composições e interpretações que terminam se completando em performaces incríveis.


E então? Ficou louco para baixar, não foi? para fazer o download clique no link abaixo e quando a página abrir clique em "baixe as músicas" (o link se encontra abaixo da capa do disco).

* Lembrando que o download é de um arquivo .rar com os arquivos .mp3 dentro.



A banda também se encontra em vários serviçoes de streaming. o novo disco (Policromo) também está disponível no cana oficial do Youtube do 5 a seco.

Conteúdo extra:

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