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8/17/2014



Há muito tempo discussões surgiram entre meus amigos sobre a legalização do aborto, e ataques à parte, foi impossível não se aprofundar detalhe a detalhe no tema. O conteúdo abaixo disponibilizado mostra todas as facetas e os principais acontecimentos nesta disputa, além de documentários inesquecíveis capazes de mudar a opinião de muitos.

"O que discutir diante da vida que está por vir?" Os argumentos apaixonados surgem de todos os lados, enquanto, em uma proporção menor, alguns gritam em nome dos direitos da mulher e do respeito as escolhas. Mas estaríamos incorretos em considerar válido o aborto? Estupros, sexo sem prevenção, risco de morte para a mãe, bebês incompatíveis com a vida e tudo mais são fatores incrivelmente influenciadores, e mais ainda presentes. A discussão não deveria ter terminado onde terminou.






Anencefalia e outras complicações.

A formação de um feto pode ser influenciada das mais diversas maneiras, estas influências, internas e externas tendem a ser tão amenas e ignoráveis que impedem que possa-se dizer os motivos específicos pelos quais um feto anencéfalo desenvolve a patologia.

A anencefalia é uma condição onde o feto não possui cérebro, ou melhor definindo, possui menos de 1/3 de massa cerebral o que o tornaria incapaz de sobreviver por um longo tempo.
Em uma descrição um pouco mais técnica disponível no site Anencephalie-info:

"A anencefalia pertence à família de defeitos de soldadura do tubo neural (DSTN). Essa má-formação congênita ocorre entre o 20º e o 28º dia após a concepção (Sadler 1998). As células da placa neural constituem o sistema nervoso do embrião. Em um desenvolvimento normal, elas dobram sobre si mesmas a fim de criarem o chamado tubo neural, que então se torna a coluna vertebral e dentro dela a medula espinhal. Depois de muitas transformações, o pólo superior do tubo neural finalmente torna-se o cérebro. Pode-se comparar esse processo com uma moeda cujas bordas unem-se ao centro. No caso de um DSTN, o tubo neural é incapaz de se fechar completamente. A anencefalia ocorre quando o final da extremidade superior do tubo neural deixa de se fechar. Crianças com esse distúrbio nascem sem couro cabeludo, calota craniana, meninges, cérebro com seus hemisférios e cerebelo, embora normalmente tenham preservado o tronco cerebral. O tecido cerebral restante é protegido somente por uma fina membrana. A criança é cega, surda e não tem ou tem muito poucos reflexos. Cerca de 40% dos fetos anencefálicos morre intra-útero e 25% ao nascer. Aqueles que sobrevivem têm uma expectativa de vida de poucas horas, poucos dias e muito raramente poucos meses."

Apesar de concordarmos que ninguém conseguiria viver sem cérebro, um dos casos mais divulgados relacionados a doença é o de Vitória que mesmo possuindo "anencefalia" como foi divulgado por redes de televisão dedicadas ao público religioso teria sobrevivido por mais de 1 ano. O documentário a seguir foi produzido com o intuito de mostrar (e questionar) a ciência, e os médicos que afirmaram que o aborto era a melhor opção.

O doc foi publicado no canal do youtube de Joana Croxato (mãe de Vitória). Os pais de Vitória também possuem um blog onde publicavam o dia-a-dia da filha, a garota nasceu em 13/01/2010 e morreu em 17/07/2012. Os comentários e avaliações estão bloqueados para o vídeo.




Mas existe um erro sério no documentário, apesar de parecer um comentário muito duro, Vitória não sofria de anencefalia. A descrição médica do caso foi mostrada em uma reportagem feita pela emissora Canção Nova, e nela, é possível ler claramente que na realidade se tratava de um caso de acrania e exencefalia fetal, patologias que podem levar a anencefalia durante a gravidez, mas que não atuaram desta maneira neste caso.

Acrania, merocrania e exencefalia.


A exencefalia pode ser facilmente confundida com a anencefalia, apesar disto, neste caso, o cérebro se encontra praticamente fora do crânio, claramente, este fator adquirido a partir de uma evolução da acrania (também presente no caso) facilitaria a perca do cérebro durante a gestação. Segundo Tomaz Golop, especialista em medicina fetal em uma entrevista para o  Uol:

"Acrania é diferente de anencefalia. Embora o primeiro diagnóstico possa evoluir para o segundo, como explicaram à mãe de Vitória, as duas condições são medicamente definidas como diferentes."

Ainda segundo o artigo do Uol Notícias, em casos de acrania, podem ainda restar restos do cérebro desorganizados, o que garante uma sobrevida maior para o feto, outro caso similar seria o de Marcela de Jesus Ferreira que morreu com 1 ano e 8 meses, e que sofria de merocrania caso raro que só foi documentado em média 10 vezes. Segundo Gollop, não existem muitas pesquisas que se preocupem com a diferenciação destes casos, pois todos inibem a capacidade de sobrevivência do feto.

A contrário do afirmado no documentário, os presentes afirmam que a presença da garota não teve grande importância por não ser um caso de anencefalia como havia sido divulgado.

Ao compararem (durante a sessão)  eletroencefalogramas de um paciente com morte cerebral e de um anencéfalo, o resultado foi idêntico (somente linhas retas). Segundo Gollop "Em 99,99% dos casos a criança morre nas primeiras horas depois do parto"


Sistema exemplificado que mostra as diferenças e progressões entre um cérebro normal e um caso de anencefali

Na exencefalia, a acrania leva a uma exposição a contatos físicos e químicos entre o cérebro e o meio onde se encontra, gerando degradação que na maioria dos casos gera anencefalia. É possível obter mais detalhes lendo o post do JBNC.

Um outro olhar sobre o aborto de anencéfalos

Nem tudo são flores e mármores polidos. Vivemos em um país excessivamente desigual, e tratar de casos complexos de anencefalia quando nada em seu meio ajuda no entendimento, torna tudo muito mais complexo. Derrubados os dogmas (necessários) para tratarmos deste tipo de caso ainda precisamos lidar com a realidade diferente, e é então que percebemos que precisamos realmente nos debruçarmos sobre o tema.

O documentário "Uma história severina" divulgado pelo site Catraca Livre neste 20 de junho relata (quase na mesma época) a dor e a pressão psicológica sofrida por uma mulher que sabe que o seu filho não poderá viver, em uma análise bem mais profunda, é simplesmente impossível não notar a complexidade do tema.




Os estupros, o aborto e a pílula.


Números divulgados no jornal O Globo (06/11/2013) mostram que no Brasil existem somente 65 hospitais que realizam abortos legais, o mesmo país, apresenta uma média de estupros maior que a de homicídios (que também possuem números assustadores).

Naturalmente, os métodos de contracepção como a famosa "pílula do dia seguinte" deveriam neutralizar os efeitos do estupro muito antes da necessidade do aborto, mas existem dois sérios empecilhos. A pílula tem uma chace de sucesso que varia entre 95% e 98% o que quer dizer que em 10 mil estupros, muito provavelmente 200 crianças ainda continuariam a se desenvolver, isto se a pílula for administrada nas primeiras 24 horas após o estupro, caso contrário os efeitos da pílula caem drasticamente. Depois de 72 horas, as chances de sucesso da pílula são de somente 58%. Pensar em 200 famílias com este problema parece algo extremamente sério, certo? Mas o número de estupros (registrados) no Brasil em 2012 foi maio que 50 mil (50.617), isto, descartando os estupros não registrados por vergonha da vítima, convenhamos que não devem ser raros.

Valendo-se destes números, o Brasil se encontra na área de legalização parcial do aborto, aceitando abortos somente com o consentimento da mãe, quando o feto não possui cérebro (como já discutimos anteriormente), quando a gravidez gera riscos de vida para a mãe, e quando o feto é fruto de estupro (como acabamos de apresentar).


As feministas e a descriminalização do aborto


O feminismo por si só é uma vitória, é uma resposta a muitos anos de machismo, descriminação, e preconceito e cobra direitos iguais (não confunda com femismo). Mas atualmente, uma das manifestações mais polêmicas quanto a estes grupos vem diretamente de encontro com organizações religiosas: O aborto descriminalizado.

O aborto é geralmente visto com uma forma horrível, destruidora, e até mesmo demoníaca, mas a realidade é suficientemente diferente para que tanto parte dos favoráveis ao aborto, quanto parte dos desfavoráveis ao mesmo desistam de suas expectativas.

Em 2013, a presença do bolsa família e outras polêmicas intervenções governamentais colocaram acima da linha da pobreza muitos brasileiros, mas apesar disto, a miséria ainda é arduamente existente. No Brasil, é adotada a política de um ganho mínimo de R$ 70 mensais para se considerar acima da linha da pobreza. O país, ainda se encontra com um número médio de habitantes entre 6% e 20% abaixo da linha da pobreza, como é possível ver neste gráfico disponibilizado pela wikipédia
Taxa de cidadãos abaixo da linha da pobreza (mundo)

Um argumento importantíssimo utilizado pelas feministas é o de que com a legalização do aborto, não há um número maior de mortes. Isto acontece, porque "clínicas" que realizam abortos ilegais em todo o Brasil estão cada vez mais ampliando o seu público, cobrando custos absurdos a pessoas já condenadas pela própria história de vida e realizando procedimentos indevidos que geralmente acarretam na morte ,tanto da mulher, quanto do feto. Isto gera um aumento de mortes e uma alimentação deste comércio que nunca é desarmado pois serve de um falso apoio para boa parte das famílias (clientes).

A política do Brasil em relação ao aborto é considerada mediana, e comparando-se os países onde o aborto já é permitido e os onde este não é completamente permitido (como no Brasil) é possível notar um menor índice de mortalidade, como o presente na Suíça. Um argumento favorável as feministas, mas que não pode ser considerado imparcial, já que outros fatores contribuem para o menor número de mortalidade durante o parto e o menor número de abortos.


Recorte de notícia disponibilizada no Planeta sustentávelO feto (em uma segunda análise) não faz parte do corpo da mulher, e portanto esta não pode exercer uma decisão de vida ou morte sobre este. No sistema atual de governo brasileiro, o aborto por mera vontade é ilegal, e o sistema de adoção é considerado a forma viável de solução destes problemas. Apesar disto, o racismo embutido na sociedade, e outras variações como deficiências e irmãos evitam a adoção. Um empasse que ainda não conseguimos resolver.

A adoção

Um dos maiores argumentos, vindo geralmente de líderes religiosos é a presença da adoção. O número de casais que aguardam na fila pela adoção é gigantesco.  Mais que 5 vezes maior que o número de crianças disponíveis para adoção. Mas pontos como a presença de irmãos, deficiências, sexo, e cor da pele influenciam a escolha de uma maneira tão drástica que a fila não anda, o impasse entre o que se quer e o que se tem leva muitos casais a desistirem da adoção. Um sistema que não consegue funcionar no Brasil.

O curto documentário a seguir trata das questões raciais, sexuais e de deficiências presentes na adoção, nesta abordagem em específico, os números ao fim do documentário são mais importantes que ele em si. Mas a beleza da escolha é inegável.



Os abortos a ferro e sangue, os argumentos por água abaixo


Estaria a legislação brasileira incorreta em apresentar tantas restrições? O que ainda se esconderia nas penumbras do aborto ilegal? Posso afirmar que muito, entre as chamadas "mães de anjos" até as clínicas ilegais existe um caminho quase invisível de dor e sofrimento que quase nunca aparece devido a sua ilegalidade. Procurei em muitas referências qualquer reportagem, ou documentário que conseguisse exibir claramente o que acontece com essas vítimas mudas. Mas entre as alegações presentes em documentários religiosos estadunidenses que afirmavam que a legalização do aborto nos USA era fruto de uma violação da constituição, e as reportagens superficiais que se referiam aos pronunciamentos do Papa, elas surgiram sem vós. Até que uma única exceção saltou aos meus olhos. O documentário "O aborto dos outros" mostra passo a passo as etapas para a realização do aborto, a história de vida de mulheres que abortaram pelos mais variados motivos, e a inteira realidade brasileira. O doc possui um peso emocional muito grande, e não se desvia nem mesmo por um segundo do seu foco, portanto, pessoas mais frágeis podem se sentir incomodadas.




Praticamente todas as igrejas se mantém lado a lado em nome de uma total proibição do aborto, o seu ponto de vista não é apresentado de maneira completa ao longo deste artigo por possuir bases religiosas e não necessariamente sociais ou científicas.






E você, o que acha sobre o aborto?Use os comentários, deixe sua opinião. Discuta.

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