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Tempo disso, tempo daquilo; falta o tempo de nada. - C. Drummond

2/15/2017

Cidade Dormitório:

Avaliação 5 de 5

Cidade Dormitório são setas de neon azul apontando para o ululante mais recôndito (ou só love lofi)

 




Porque algumas bandas revivem blogs! Eis o porquê da existência (para este texto, pelo menos).

Andar por entre grandes erudições é, sem dúvida, encontrar as poesias mais inesperadas e, por isso mesmo, sublimes. Algum dito carnal e sincero, no entanto, costuma escapar ao que é tão pretenciosamente poético. Desafio: encontre essa sinceridade, uma poesia direta e, apesar de simples, inesperada. Foi? Agora adicione um vocal muito chapado. Pronto, esse é  o EP da Cidade Dormitório (e no final do post tem o link pra baixar).

As faixas são longas, mas tudo é muito curto. Eis o mistério do tempo. A banda te surpreende com um som extremamente harmônico, mas não parece procurá-lo exacerbadamente - está no ponto!

As letras são de todo diretas (o amor, a festa, o som, "o que me bateu agora"...) como eu disse, poesia feita com lixeiros e setas, e poucas coisas seriam melhores que isso. O melhor é que a banda é nova, e podemos esperar uma larga evolução nisso tudo. Onde situá-la por enquanto? No espaço mais digno das bandas alternativas da cena brasileira na atualidade. Esqueça o nome do álbum, não espere o pior.

 A banda disponibilizou o EP completo no Youtube:



Mas não é só isso. A banda também está no Bandcamp, no SoundCloud, e, pasmem, deixou o próprio álbum no MediaFire. Para baixar, é só clicar no link:


Para acompanhar todas novidades de perto, você pode curtir a página oficial da banda no Facebook. Lá, eles juntam todas as notícias sobre a banda!



1/24/2016



"Somos tão pequenos que a morte consegue levar a nossa alegria."


Paulo Azevedo, o não-escritor, fisioterapeuta, especialista em fisioterapia e pós-graduado em fisioterapia neurofuncional, mestre em Ciência da Motricidade Humana com formação em Filosofia à maneira clássica (ufa!) traz uma supresa. No fio da vida, sua primeira obra, é a celebração de uma linha tênue, separadora das diferenças mais gritantes, criadora das dualidades e dicotomias mais comuns e mais absurdas. A obra é simples, mas profunda, cativante, mas singular. Um ótimo livro para leitores iniciantes, uma ótima proposta para veteranos. Da filosofia à literatura, o enredo é um eterno equilibrista.



11/03/2015








 

Human é um documentário com uma proposta única. Nada, além dele mesmo, já se propôs a analisar a natureza humana com tanta precisão filosofia e beleza.

O documentário é construído com relatos de pessoas ao redor do mundo. Histórias fortes e sutis se misturam para construir a análise da própria raça humana. Como se não fosse o bastante, os depoimentos muitas vezes trazem lições surpreendentes simplesmente impossíveis de encontrar em outras fontes. Human é uma filosofia única, um documentário capaz de mudar uma vida e de pôr uma visão individualista claramente na sua real dimensão.





Aos que buscam experiências etnográficas, encontrarão em Human um exemplo único das diferenças e pontos de vista entre as culturas, não em um aspecto geral de sociedade e cultura, mas em um aspecto que parte do nível pessoal, arrisco-me ao dizer que também familiar, para a construção da ideia de uma sociedade, ou cultura, diferenciada.






O documentário é também um conjunto de lições de vida, a quebra de tabus há muito inquestionáveis, a amostra de como a forma de viver e de ver podem ser diferentes e cabíveis. Human é documentário, mas é também filosofia e arte.




11/01/2015




Para que este texto não seja sobre minha vida, sobre pontualidades breves e instantâneas ou, talvez, ditos falsos, mas agradáveis de se ouvir, rogo a necessidade de me fazer mais ou menos que eu mesmo. Destituir-me da pele que me encobre é, também, fazer da ponte, da vista, da metáfora, a conexão de um borrão transcendente por natureza, com uma exatidão inesperada, posto que esta esteja, ao menos, no fim da ponte. A ponte, que também é metáfora, faz-se um silêncio bruto, o texto, a impessoalidade que chega até ela.

Eis que há, defronte ao borrão, uma ponte de exatidão inexorável, de fisicidade distinguível de todo o mais. Como todas as pontes, é o caminho seguro de uma poesia física, mas que constitui a alma. Toda ponte, das que levam para o lado do outro, é uma ponte real. Mas qual era a ponte que se exibia charmosa? Qual era esta que me fazia cruzar algo que eu mal notara (um rio?) para um outro lado já, agora, cada vez mais preciso, embora ainda sem nome?

Era a ponte que levava para o outro lado a nossa escassez pessoal, fruto da secura que já não entendia mais, que também constituía na carne, madeira, folhas e luz, a poesia que não me era mais nada, até ali, claro.

O ferrugem rugia como poeta fervoroso, corroía os últimos traços da ponte indicando, arriscadamente, que aquela poderia não ser eterna. Sua necessidade, deveras, faria dela lendária. Resistiria como ponte e fazer-se ia muitas na memória dos seus visitantes. Cada ponte filha da sua fisicidade, meramente resguardada dentro de todos que a conheceram e apertaram sua mão, faziam dela a repetição contínua e eterna que guiava a poesia para fora, sem removê-la de dentro. Feitos impossíveis, exceto para a poesia.

O que me garante a ainda existente satisfação, assim como de todos que seguiram, companheiros, pela mesma ponte, é a certeza primária da eternidade de quem faz o que é único.


113 anos de Drummond, são 113 anos da poesia que se faz, pelo físico, a representação mais fiel do sentimento mais completo.


113 anos de Drummond

10/24/2015

Apanhador Só:
 

 

Apanhador Só é o descompasso harmônico do cotidiano de qualquer um.






Apanhador Só parece ter os métodos de composição mais variados possíveis. O cotidiano, os detalhes (não leia isto com ar otimista) surgem inconvenientes, agudos e aleatórios - um cotovelo na costela. Mesmo nas músicas onde a harmonia custa a ser encontrada, a banda consegue exibir composições contagiantes.

 A estranheza das letras é outra marca perceptível, marca tal que inevitavelmente ficou entranhada na imagem que possuo da banda. Se isto a faz estranha, também a torna única.


Via de regra, a banda disponibiliza o download no seu site oficial:


Você encontra a Apanhador Só no Google+, Facebook, Twitter, Instagram e, claro, Youtube.
Nos streamings, você encontrará a banda em quase todos. Nas minhas buscas, os encontrei no SoundCloud, Spotify, Rdio,  Provavelmente se encontram em muitos outros, vale a pena procurar no serviço de sua preferência.



Uma foto publicada por Apanhador Só (@apanhadorso) em

10/10/2015

As concordâncias há muito fizeram do repensar um novo caminho para se fazer as mesmas coisas. O repensar, no mais, tornou-se o caminho promissor que nos leva ao caminho escolhido por outro, e que, por não ser o nosso, geralmente não atende nossas necessidades. Precisamos aprender a repensar de uma forma diferente.

Repensar


Diz-se que vivemos no mundo da informação, que estamos mais informados do que nunca e já dizemos, até, que este excesso de informação nos faz mal e que, por isso, nossas relações se encontram mais rasas que nunca. Contra quem posso argumentar? Somos humanos, falamos muito. Mas não se trata mais de um devaneio despretensioso, o mundo se tornou frenético. Sete bilhões de humanos pensando, replicando, criando e expondo ao mesmo tempo podem facilmente se tornar sete bilhões de replicadores mútuos de toda a informação que recebem. Um mundo de "informação"  é, acima de tudo, um mundo de ecos.

A referência a Kant, no título, parece perdida, ledo engano. O último grande filósofo trouxe consigo uma nova forma de pensar e de enxergar o mundo. Não que não tenhamos criado nada desde então, seria um pecado afirmar que a filosofia continuou estática desde sua última obra, seria um pecado igual acreditar que não houve milhões de mudanças na nossa tecnologia e que agora não sonhamos com o que era inimaginável há poucos anos. Mas dispersamos nosso conhecimento de forma heterogênea. Alcançamos as estrelas, mas não a África. Isto não para por aqui, replicamos muito mais informação, em quantidade massiva. As ideias andam em círculos e resultam em ecos e loopings. Principalmente se as informações que recebemos vem da mesma fonte. Tenha novas experiências, não novas como todos, novas únicas, busque a sua unicidade, a sua ipseidade. O que faz de você - adivinhe? - você. Não qualquer outro.

Não haveria de ser pretensão minha afirmar com tanta certeza a necessidade do surgimento do novo? Não digo em pormenores que o novo seja o parque, a montanha, a festa, mas possuímos a necessidade de um novo "novo", de uma nova forma de repensar que não nos faça escolher um novo caminho de outro, mas um novo caminho criado. Isto não chega a arranhar Kant, isto não tem nada a ver com Kant. Irei contra muitos quando disser que não devemos seguir os caminhos dos outros, nem mesmo quando são admiráveis. Há um ponto de vista para cada ponto, um ser que olha o mundo é único. Este é um bom e velho conselho: persiga o que os admiráveis perseguem, mas não trace o mesmo caminho que eles trassam.

10/09/2015

Nos acostumamos com a visão de uma África podre, sedenta, morta. Repleta de ebola, AIDS e doenças raras. Nos acostumamos, também, a ver isto como irremediável e fruto do... fruto do quê, mesmo? Admita: você não sabe nada sobre a África.




A África possui sim índices de subnutrição assustadores, o estranho é que poucos números são citados. Informações desconexas, aliás, são facilmente encontradas em notícias divulgadas para o público comum. Não procuro com isso afirmar que as condições são favoráveis. É provável que a inconsistência se dê exatamente pela má acessibilidade e pelo grande espaço territorial que o continente possui. Um relatório mais confiável, indica que cerca de 25% dos africanos  sofrem com a desnutrição. Mas uma boa política pode estar por vir, já que a mesma notícia que nos diz que um quarto da população sofre com a desnutrição também indica o objetivo de que até 2025 a fome na África seja erradicada.

Não se engane. Não é a África inteira que sofre com a fome e, também, não é só ela. O Índice Global Da Fome também mostra que a Ásia possui uma grande área que sofre com a fome.






O que causa a fome na África



Costuma-se dizer que a fome gera a fome. Diz-se isto porque no caso da África, a desnutrição resulta em baixa na mão de obra, na produção de alimentos e, consequentemente, nos alimentos entregues à população.

Ao descrevermos a África como pobre, precisamos observar algumas contradições internas do próprio continente:

 O colonialismo

 

O colonialismo retirou da África muito mais que o suportável. Literalmente, a colonização desmembrou grupos de etnias distintas, transportou-os para o mesmo território e depois da série de independências que começaram a eclodir esses grupos assumiram independência política, mas não reconhecimento de nação. Eles eram diferentes e muitos possuíam um histórico de conflitos. Muitas guerras começaram a surgir e isto terminou dando origem às ditaduras.

A guerra


O surgimento das ditaduras ocasiona  guerras sistemáticas e conflitos internos. Revoltas que geram destruição, mas não derrubam governos, crises econômicas... Como se não bastasse, outro problema surge: o financiamento para armas que veio do exterior durante a Guerra Fria.

A religião

 

A intolerância religiosa (termo leve para a incompatibilidade de crenças presente na África) ampliou a já existente posição de confronto entre grupos. Estes, passaram a se "vestir" ideologicamente como justificação para a intolerância. Inevitavelmente, as crenças religiosas tornaram (ou foram fruto) de conflitos mais intensos.

A seca

 

A África é um continente que possui um clima muito árido. Perder o gado durante uma batalha ou qualquer fonte de alimento faz da fome uma consequência inevitável. A África possui muito território, mas o território fértil é escasso e batalhado. Ainda assim, ela é um continente que mais exporta produtos alimentícios. Contradição? Não tenha dúvida.






 Exporte antes de comer!

Nós brasileiros conhecemos bem a diferença entre o PIB e o que nós realmente fabricamos. Não é diferente na África. Grande parte das terras é vendida para empresas e governos do exterior e termina por servir simplesmente para exportação, não para consumo. 

A compra das terras férteis na África também ocasiona o aumento do preço dos cereais internos. Termina, assim, por inviabilizar ainda mais o consumo interno do país.

Na próxima sexta: "O que você tem a ver com a fome na África?"
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